quinta-feira, 8 de julho de 2010

Cidadão Quem - Som de Qualidade




Dica para o leitor, ouçam essa banda, som com qualidade e letras inteligentes.

Seu primeiro show foi em maio de 1990, exatamente 49 anos após a primeira exibição do filme Cidadão Kane.

Em 1991, a banda fica entre as finalistas do Rock in Rio 2, ultrapassando 368 bandas de todo o Brasil. Já participou de vários especiais para a RBS e foi revelação do jornal Zero Hora, tendo recebido o troféu Açorianos de melhor banda gaúcha em 1993, 1998 e 1999.

Outras Caras, o primeiro CD da banda, foi lançado em 1993, e teve mais de vinte mil cópias vendidas.

Em junho de 1995, a banda iniciou as gravações de seu segundo CD em São Paulo, no estúdio Art mix, produzido por Luiz Carlos Maluly e finalizado em Los Angeles, no estúdio Castle Oaks, sendo mixado por Benny Faccione.

Em maio de 1996, seu novo CD A Lente Azul foi lançado pela Polygram, tendo como música de trabalho Os Segundos, que entrou para a trilha sonora do seriado Malhação, da Rede Globo. Desse mesmo CD, foi gravado o clipe da música Balanço, que em 1997 foi lançado na MTV.

Em novembro de 1998, a banda lançou Spermatozoon, seu terceiro CD, e que representou uma retomada ao espírito inicial do grupo, uma volta às raízes, à simplificação. O CD foi gravado em Porto Alegre e mixado e masterizado em Nova Iorque. Foi o primeiro CD do selo gaúcho Zoon Records, que além da Cidadão Quem também é selo de bandas como a Graforréia Xilarmônica. O CD teve como música de trabalho Um Dia, com clipe na MTV.

Com mais de setecentos espetáculos em sua bagagem, a banda formada na virada da década de 1980, percorreu o Brasil, da Bahia ao Rio Grande do Sul, do Planeta Atlântida ao Rock in Rio, passando pelo Festival de Verão de Salvador.

Em 7 de julho de 2004, no Theatro São Pedro de Porto Alegre, foram gravados o CD e o DVD da banda, em formato acústico e em duas sessões, com ingressos esgotados com 48 horas de antecedência da data do show. Este grande momento contou com as participações especiais de Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii) e Mônica Tomasi. Este show em formato acústico foi uma releitura das principais músicas que fazem e fizeram sucesso na carreira da banda, como Carona, Os Segundos, A la Recherche, Pinhal e Ao Fim de Tudo, entre outras.

A banda interrompe suas atividades para o tratamento de um câncer, mieloma múltiplo, do baixista Luciano Leindecker. Enquanto isso, Duca se junta a Humberto Gessinger, que havia anunciado a interrupção temporária das atividades dos Engenheiros do Hawaii, em um projeto intitulado Pouca Vogal, reunindo músicas inéditas escritas por Duca e Humberto, como também grandes sucessos das duas bandas.

Para download das musicas: http://rock2download-iosa.blogspot.com

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Novo MSN ainda "perde" em recursos para antigo ICQ




Não me levem a mal. Sou usuário assíduo do Windows Live Messenger, mas é espantoso ver que, ainda hoje, em 2010, o programa não tenha recursos indispensáveis presentes no ICQ há mais de uma década.

A tecnologia evoluiu, os sistemas ficaram mais poderosos, contudo, ainda assim, a solução de comunicação da Microsoft mostra que ainda poderia ser facilmente substituída por uma concorrente que entre com força no mercado.

Ninguém tira o mérito da Microsoft, é claro. A solução de comunicação mais utilizada no mundo hoje se aproveitou da perda do foco do ICQ para conquistar milhões de usuários ao redor do mundo. É claro que isso não impede aos usuários que optaram por migrar de ferramenta mostrar insatisfação ou questionar recursos de sua atual escolha.

É inadmissível que até hoje a Microsoft não tenha conseguido se equiparar a tecnologias que deveriam ser básicas nos comunicadores e que já existiam no fim da década de 90 na "quase-defunta" rede ICQ. A transferência de arquivos não possui opção de continuar o envio/recebimento mais tarde e a funcionalidade de "invisibilidade" só se tornou realidade há alguns poucos meses e, talvez por isso, ainda é risível.

A cada lançamento de nova versão, basicamente são estes dois os alvos de meus principais testes. E foi assim com o novo beta lançado pela Microsoft há poucos dias. Devo dizer que, mesmo com tudo que foi anunciado e que realmente está presente no software, me decepcionei.

A primeira coisa a perturbar é o fato de que o Windows Live Messenger não "lembra" quem você é, a menos que você escolha lembrar seu nome de usuário E sua senha, o que para muitos usuários que compartilham a máquina é inviável.

A sua interface inicial também incomoda. Ela agrega à lista de contatos o conteúdo de redes sociais. A Live Spaces é a única ativa e instalada por padrão, mas é possível, clicando em um link no rodapé da janela, adicionar outros serviços como Facebook, MySpace e algumas outras redes. Quando procurei por Twitter, não encontrei. Por conta deste recurso, o novo visual padrão do Windows Live Messenger ocupa quase a tela cheia e todos que usamos o messenger durante o trabalho (e somos muitos) sabemos que isso é pouco prático. Felizmente, é possível obter o "look" antigo, este aspecto do programa nem é um problema real.

Aí chegamos ao estado "invisível". Comparado há algumas versões do Windows Live Messenger, quando ainda se chamava MSN, a evolução é evidente. O recurso que já se chamou "Aparecer Offline", antigamente sequer permitia trocar mensagens enquanto você estava "escondido". Na versão prévia à nova versão beta o recurso foi muito melhorado. Nesta, uma tentativa de acerto provocou mais um erro.

O que acontece é que o recurso parece querer "clonar" o do bom e velho ICQ. Só que o que deveria ser um imenso benefício é uma faca de dois gumes. Ao aparecer invisível, você só pode mandar uma mensagem para alguém se aceitar ficar online para esta pessoa. Até aí, tudo dentro da normalidade, afinal, se você quer contatar alguém escondido, sua invisibilidade cairá por terra.

O problema está na "lista de visibilidade", que ainda não é estável o suficiente. Em alguns testes conduzidos percebi que, ao "aparecer online" corria o risco de ser visto por outras pessoas. Outra falha é a confusão na interface: o usuário mais atento perceberá que existe a função "Aparecer online para um contato", "Aparecer online para todos os contatos" e uma terceira função "Sempre visível". A confusão é tamanha que na primeira a visibilidade durará apenas a sessão atual. Desconecte e conecte de novo e toda sua lista continuará invisível. Em computadores com resoluções menores a função "Sempre visível" sequer aparece na janela principal, ficando escondida sob uma setinha com mais funções.

A instabilidade deste recurso ainda se confirma em outros pontos. Em alguns de meus testes, mesmo mudando meu estado para Online, depois de ter me conectado insivível, eu ainda estava invisível para meus contatos. Este tipo de pequena falha deve ser corrigida até a versão final.

Confirmando a minha suspeita, a transferência de arquivos não possibilita ainda o resumo de transferência caso seja necessário sair da internet ou, em casos piores, a conexão caia.

A câmera ainda apresenta efeitos indesejados no novo Messenger. Pode ser falha do beta, pode ser incompatibilidade do messenger novo com versões mais antigas do programa, mas nem em todos os nossos testes a câmera funcionou. Outra coisa notada foi que, enquanto estava conectado com meu perfil como "ocupado", o programa ficou ao meu lado e recusou, por conta própria e sem qualquer informação a quem pedia, o envio de webcam. Pode ter sido mera coincidência, mas faz sentido, se estou ocupado, não poder participar de conferências em vídeo. Todavia, o contato que tenta requisitar a conferência em webcam recebe apenas a informação de que, quem está ocupado, recusou. Uma solução seria informar: "fulano não pode aceitar chamadas em vídeo porque está ocupado".

Outra falha vem deste recurso: muitos usuários acostumaram a ficar como "ocupados" enquanto trabalham. Isto não quer dizer que estejam fora do alcance de todos os usuários, apenas que não estão no comunicador para papo furado. A Microsoft devia estar alerta deste tipo de prática e bolar uma solução mais eficiente, neste caso.

Para não dizer que a atualização desagradou por completo, tiro o chapéu para a transmissão de webcam quando ela funciona. Preparado para as novíssimas câmeras HD, o programa agora não limita mais o tamanho do vídeo àquele pequeno espaço da janela (o que fazia muita gente preferir o Skype ao Live Messenger, no fim das contas). Agora, a janela de vídeo aparece em anexo à direita da janela de papo.

Outro recurso extremamente bem vindo é que, agora em vez de serem abertas janelas independentes para cada uma de suas conversas, os papos com seus contatos aparecem em apenas uma janelinha organizada em abas, como acontece quando você carrega diversos endereços nos navegadores modernos.

É claro, é uma versão que ainda está em testes e deve ser modificada, mas duvido que muitos dos problemas aqui mencionados serão corrigidos antes que a versão final chegue ao grande público.

E o que a gente pode concluir a partir de tudo isso? É difícil que os usuários migrem de tecnologia de uma hora para outra, mas não impossível. Na época do ICQ, ninguém imaginava que a Microsoft seria capaz de desbancá-lo, apenas aconteceu. E, quando a massa opta por um dos messengers, a migração passa a ser praticamente obrigatória, afinal, você quer se comunicar com, senão todos, grande parte dos seus amigos.

Hoje ainda temos um agravante: a maioria dos usuários tem usado programas criados por terceiros para acesso a redes sociais e comunicadores. Com isso, não importa quantos recursos extra de interação o programa disponibilize, mas sim como os recursos básicos se comportam.

Nestes dias em que estamos vivendo, menos é mais. Se a Microsoft quiser se manter na vanguarda, talvez seja hora de se manter focada em melhorar recursos básicos e indispensáveis, e não transformar o programa que deveria ter meia dúzia de aplicações de comunicação em um canivete suíço que aborde todos os aspectos sociais da web.

A Microsoft tem um concorrente de peso, que pouco a pouco mostra suas garras no campo da mensagem instantânea: o nome dele é Google Talk. Por enquanto, sua base de usuários não é tão grande quanto a do rival, mas em algum tempo poderemos ver mais uma luta entre David e Golias dos comunicadores. E, na história, a gente sabe: David pode parecer menor, mas acaba vencendo o gigante.

PRÍNCIPE DA PÉRSIA: AS AREIAS DO TEMPO




Qual cético a filmes adaptados de games já não confirmou sua frustração a cada produção lançada? Que tal Street Fighter – A Última Batalha, Super Mario Bros. ou Alone in the Dark? Longas como Terror em Silent Hill ou Mortal Kombat são exceções com resultados razoáveis.

Pode-se acrescentar mais um filme à lista de boas exceções. Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo utiliza todos os clichês para se construir como um filme de aventura decente para quem enxerga cinema como diversão. O que é mais obrigação do que mérito para quem tem um produtor como Jerry Bruckheimer, uma estrela em ascensão como Jake Gyllenhaal e um simpático orçamento de US$ 200 milhões, ajuda no resultado de um filme.

Essa combinação entre produtor-dinheiro-ator domina a estrutura do filme. Primeiro, porque Bruckheimer (o senhor Piratas do Caribe) é uma máquina de fazer dinheiro sabe que o público reage bem quando uma pitada de romance é adicionada ao herói. O dinheiro permite contratar uma equipe eficiente para executar ótimos efeitos especiais (gente que trabalhou em A Bússola de Ouro a O Lobisomem), investir em boas locações e caprichar na direção de arte. Já a presença de um ator acostumado a filmes menores liderando um potencial blockbuster contribui para que as cenas dramáticas não sejam risíveis.

Na trama de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, Jake Gyllenhaal é Dastan, um príncipe adotivo que lidera a ocupação do reino sagrado de Alamut sob a alegação de que ali estavam escondidas armas destrutivas. Ele conhece a princesa Tamina (Gemma Artenton), que lhe revela a existência de uma adaga que permite viajar pelo tempo. O que Dastan não sabia é que, por trás da busca pelas armas de destruição, há muitos outros mistérios a serem revelados.

O filme entrega o que o público fiel a esse tipo de aventura aguarda: perseguições e lutas bem filmadas, tiradas cômicas, efeitos especiais, romance. O público sai feliz porque viu o que esperava e a produção sai mais feliz ainda, comemorando a bilheteria.

O que talvez o público não esteja esperando é o subtexto político. A Alamut do filme é uma metáfora do Iraque. Tus, um dos príncipes, é George W. Bush filho, enquanto o Rei Sharaman é George W. Bush pai. As “armas perigosas” são como espelho das “armas de destruição em massa” que justificaram a destruição iraquiana. A adaga, o grande tesouro que procuram, tem como paralelo o petróleo do Oriente Médio. Os Hassansin encontram respaldo nos mercenários da guerra.

Hollywood já não pode ignorar o efeito Iraque, mas tampouco ousa contestar a indústria bélica (tanto que o filme traz a pérola “nós somos os conquistadores e os salvadores”). À exceção dessa simplificação do texto político, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo promete um bom produto e o entrega.

O GOLPISTA DO ANO




O pôster oficial do filme sugere uma comédia. O título em português também. A presença de Jim Carrey no papel principal, mais ainda! Mas não há como afirmar categoricamente que O Golpista do Ano seja um filme feito para fazer rir. Há, sim, momentos cômicos, e um humor meio sarcástico que permeia toda a narrativa, mas a base do filme é a tristeza. A tristeza de um homem extremamente inteligente e astuto, mas que se arruina na vida por não conseguir parar de mentir.

A história é real. Inacreditavelmente real. O Golpista do Ano é todo contado sob o ponto de vista de Steven Russell (Jim Carrey), um policial - teoricamente - comum do interior dos EUA que vive - teoricamente - feliz ao lado da religiosa e conservadora esposa Debbie (Leslie Mann, de O Virgem de 40 Anos). Até que um grave acidente quase o mata e ele decide, então, passar a viver a vida como sempre desejou, de forma alegre, despojada e sem mentiras. Começa aí um inacreditável redemoinho de acontecimentos que beiram o fantástico, onde Steven fará o possível e o impossível para viver sua vida de forma totalmente plena. Ele esbarra, porém, num insuperável problema de caráter, através do qual não consegue parar de mentir. São mentiras mirabolantes, incríveis, fantásticas... porém, fascinantes. Mentiras que todos gostam de acreditar. Mentiras que todos gostaríamos de contar... sem sermos pegos.

Comédia? Talvez, mas profundamente dramática, ácida. É fácil criar empatia com Steven Russell, da mesma forma que é fácil curtir Frank Abagnale Jr., o megagolpista vivido por Leonardo Di Caprio em Prenda-me se For Capaz. Há neste tipo de personagem um tom deliciosamente subversivo que se confronta diretamente com o poder estabelecido. O público ama se projetar catarticamente neste tipo de comportamento, sem sair do conforto e da segurança de sua poltrona de cinema.

É a primeira vez que Ficarra e Requa dirigem. A dupla já havia roteirizado a comédia juvenil Como Cães e Gatos (que ganhará uma continuação ainda este ano) e o cáustico Papai Noel às Avessas. Em O Golpista do Ano, partiram para roteirizar e dirigir, baseados no livro autobiográfico de Steven McVicker.

Ewan McGregor está perfeito no papel e Rodrigo Santoro faz uma participação pequena, porém eficiente. Quanto ao sempre polêmico Jim Carrey, quem gosta dele continuará a gostar, da mesma forma que quem não o suporta não mudará de ideia.

Destaque ainda para a envolvente trilha sonora de Nick Urata, assim como o filme, também repleta de cinismo.

Equilibrando-se perigosa e ousadamente entre a comédia e o drama - com direito a momentos de gosto duvidoso -, o filme pode provocar algum estranhamento junto ao público acostumado ao cinema de gênero construído em sua forma mais tradicional. Da mesma forma que, justamente por isso mesmo, também traz elementos que agradam aos paladares mais abertos a experimentações.

ESQUADRÃO CLASSE A




Esquadrão Classe A é a prova de como criatividade no roteiro e desenho de personagem não tem sido o forte de Hollywood há um bom tempo. Afinal, o que há de mais marcante na versão cinematográfica é justamente o desequilíbrio de quatro personagens, característica que já estava moldada no seriado original dos anos 80, The A-Team.

No filme, temos a tradicional situação de quem está dentro de uma instituição, mas age clandestinamente fazendo o serviço sujo com pontual eficiência. Aquilo que o cinema americano convencionou a dizer que a Lei não dá conta, que já estava lá em Stallone Cobra, a “justiça” por meios ilícitos. Um time com quatro combatentes que se completam: o estrategista, o charmoso, o brutamonte e o desequilibrado. Quatro partes de um corpo que não funciona separado, cujo sentido só existe quando estão lado a lado explodindo alguém.

A graça de Esquadrão Classe A está nas situações que surgem a partir do encontro dos quatro: o confronto entre Murdock (Sharlto Copley), que só consegue viver no limite até nas situações triviais, e Bosco B.A. (Quinton Jackson), o fortão da turma que morre de medo de avião; o disciplinado e estrategista Coronel Hannibal Smith (Liam Neeson) oposto ao conquistador e impulsivo Cara de Pau (Bradley Cooper). Ou seja, nos desequilíbrios individuais controlados (e descontrolados) pelo conjunto.

De resto, seja em termos de estrutura do roteiro, da marca da direção ou das opções da montagem, trata-se de mais um filme de ação razoável como muitos outros. Tiros, socos, explosões e outras convenções do gênero executadas com mínima eficiência.

Esquadrão Classe A começa com uma retumbante apresentação dos personagens. Ritmo frenético, cortes rápidos e música o mais alto possível, opções que parecem ter saído da fôrma de Tony Scott. Porém, quem assina a direção é Joe Carnahan, do bom Narc e do sofrível A Última Cartada.

Carnahan perde diversas oportunidades de fazer um filme comercial e mesmo assim, não fazer as escolhas óbvias. A câmera está sempre onde esperamos, as cenas são encadeadas sem complicações. Esquadrão Classe A só cresce quando é a psicologia dos personagens que determina as respostas às situações de perigo.

Então, sobressaem-se dois atores. Sharlto Copley, tardiamente descoberto pelo cinema mundial com Distrito 9, apropria-se do tesão pelo perigo de seu personagem, Murdock, para nos entregar uma interpretação que paga tributo a Jack Nicholson de Um Estranho no Ninho.

Já Bradley Cooper, de Se Beber, Não Case, veste confortavelmente a roupa do bonitão que usa o charme para fugir de problemas (e conseguir outros). Quase um filho de Hannibal Smith, o comandante interpretado sem maiores complicações por Liam Neeson. O lutador Quinton “Rampage” Jackson faz o que sabe de melhor: bater.

Então, o que temos em Esquadrão Classe A? Um filme que consegue entreter por causa dos quatro personagens, engraçados, desequilibrados, multi-habilidosos e inteligentes –cujo crédito deve ser dado especialmente à série que deu origem ao filme. De resto, nada muito empolgante.

SHREK PARA SEMPRE




Para quem não se lembra ou não sabe, vale a pergunta: qual é a origem do personagem Shrek? Dizer simplesmente que ele nasceu no livro de William Steig é muito pouco, mesmo porque praticamente quase nada da obra original foi aproveitado na série de filmes. Na verdade, Shrek é fruto da briga empresarial travada entre dois gigantes do mercado de entretenimento, nos anos 90. Tudo começou quando Steven Spielberg resolveu criar a sua empresa – a Dreamworks – que trazia como um dos objetivos enfrentar diretamente a então toda poderosa Disney no cobiçado segmento dos desenhos animados de longa-metragem. Vale dizer que a Disney era não apenas a líder incontestável deste mercado, como também a própria criadora dos desenhos longos, com o pioneiro Branca de Neve e os Sete Anões, de 1937.

Pois bem, para compor a sociedade da nova empresa, Spielberg simplesmente “roubou” da Disney ninguém menos que Jeffrey Katzenberg, seu principal executivo na área de longas de animação. É dele o “K” da sigla SKG que se vê logo abaixo da logomarca Dreamworks. O “roubo” teria irritado muito a empresa de Mickey Mouse. E pior: com a transferência de Katzenberg da Disney para a Dreamworks, algumas “estranhas coincidências” faziam crescer os rumores em Hollywood que o executivo teria levado para Spielberg algumas ideias que estavam em processo de gestação na Disney. Ou, trocando em miúdos, espionagem industrial. Afinal, são inegáveis as coincidências entre Formiguinhaz (Dreamworks) e Vida de Inseto (Disney/ Pixar), só para citar um exemplo.

É neste instante que a Dreamworks contra-ataca criando Shrek, desenho animado feito para combater e ridicularizar os estereótipos desenvolvidos pelas Disney desde 1937. O primeiro longa da série, lançado em 2001, é uma hilariante sucessão de alfinetadas contra a concorrência.

Assim nasceu o ogro da Dreamworks: como o anti-herói e anti-Disney, o personagem que veio para detonar e corroer tudo o que já havíamos visto, até então, sobre contos de fadas e desenhos no estilo “princesas”. Um sucesso absoluto.

Suas duas continuações, porém, lançadas em 2004 e 2007, acabaram abandonando a rebeldia inicial do personagem e enfraquecendo a qualidade da franquia. Agora, em 2010, chega às telas o quarto (e prometidamente o último) episódio: Shrek para Sempre. Com muito mais talento que o terceiro filme (o pior de todos), mas inevitavelmente sem contar com o frescor da novidade.

Agora, Shrek está em crise: a rotina do casamento corroi o instinto selvagem do ogro, que num ataque de raiva e nostalgia sente falta da época em que ele era assustador. Saudades da liberdade da vida de solteiro. Num momento de ira, Shrek encontra Rumpelstiltskin, sujeito com poderes mágicos que vive de fazer acordos inescrupulosos com pessoas incautas. Seduzido pelo vilão, o herói “troca” um dia de sua vida pela possibilidade de voltar a ser um ogro assustador, sem saber que, com isso, estará jogando todo o reino de Tão Tão Distante num universo paralelo triste e desolador.

Dentro da tradição hollywoodiana de que nada se cria, nada se perde, tudo se refilma, Shrek para Sempre é marcadamente a junção de dois clássicos: Fausto, de Goethe, e A Felicidade não se Compra, de Frank Capra. Do primeiro vem o conceito de vender a alma ao diabo. E do segundo a valorização do homem comum que – inebriado pela possibilidade jamais realizada de ter vivido uma vida diferente – não percebe a importância dos valores humanos mais simples e fundamentais.

Contudo, clássicos à parte, a boa notícia é que este quarto episódio fecha a saga Shrek (pelo menos, dizem seus produtores) com mais conteúdo, mais ritmo, mais vivacidade e mais bom humor que seu triste antecessor Shrek Terceiro. É também, de longe, o capítulo mais romântico dos quatro. Talvez, as crianças menores sintam alguma dificuldade em compreender o conceito de “universo paralelo” dentro da história, ou mesmo apresentem alguma rejeição à ambientação mórbida e lúgubre que permeia boa parte da trama, mas o resultado final é compensador. Mesmo porque Burro – sempre o mais divertido dos personagens – volta à sua melhor forma, protagonizando os melhores momentos cômicos.

Sim, Shrek perdeu seu viés contestador deste o segundo capítulo e a saga termina com um claríssimo filme-família. É o preço a pagar por uma Dreamworks que enfrentou a Disney e se tornou – ela própria – um novo ícone de entretenimento familiar. Caso típico de conquistador que assimilou o perfil de seu conquistado.

Quem será o próximo desafiante?

retirado de: http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/ficha/filme/shrek-para-sempre/id/2509



Inspirado na ótima graphic novel de John Romita Jr. e Mark Millar (este último responsável pelos quadrinhos que geraram O Procurado), o roteiro de Jane Goldman e do próprio Vaughn gira em torno do adolescente Dave Lizewski (Johnson), que, frustrado com a própria vida (“Eu apenas existia.”), é tão inseguro que decide se passar por gay para poder ficar próximo à garota de seus sonhos. Leitor ávido de quadrinhos, ele resolve criar um alter ego que lhe permita assumir uma postura mais determinada e é então que se apresenta ao mundo como Kick-Ass, um vigilante mascarado que logo descobre que a realidade não é tão simples quanto a ficção. Enquanto isso, somos apresentados também ao ex-policial Damon Macready (Cage) e à sua jovem filha de 11 anos, Mindy (Moretz), que, como Dave, encarnam uma dupla de justiceiros: Big Daddy e Hit-Girl, que se dedicam a combater a quadrilha comandada pelo poderoso gângster Frank D’Amico (Strong).

Abraçando sem reservas as origens do material, Matthew Vaughn transforma Kick-Ass em um interessante exercício de metalinguagem: em certo instante, por exemplo, Big Daddy desenha o rosto de um vilão apenas para que a imagem seja substituída pelo rosto real de Mark Strong – e a própria origem do “herói” é explicada num dinâmico formato de quadrinhos. Da mesma maneira, se o cineasta remete até mesmo às elipses típicas das graphic novels ao empregar letreiros como “Enquanto isso...”, tampouco hesita em fazer referências ao próprio Cinema, como no divertido momento em que o herói-narrador alerta o espectador para que este não o considere imbatível apenas por estar ouvindo sua voz em off, já que, como comprovam filmes como Beleza Americana e Crepúsculo dos Deuses, isto pode não significar nada.

Além disso, o diretor de fotografia Ben Davis investe em cores intensas e contrastadas que estabelecem uma paleta claramente inspirada em HQs, embora, aqui e ali, também invista, ao lado de Vaughn, em rápidas citações aos games (como na câmera subjetiva que explora o olhar de Hit-Girl em determinada seqüência de ação). Mas não é só: trabalhando ao lado de três montadores – algo pouco comum, diga-se de passagem -, o cineasta estabelece uma dinâmica invejável em sua narrativa, criando ainda algumas transições particularmente elegantes (como aquela em que uma caixa de cereal é substituída por uma lápide). No entanto, talvez a decisão mais corajosa de Vaughn seja a de se manter fiel ao tom do material original - embora tome várias liberdades em relação à sua história -, não abrindo mão da violência gráfica ali presente. Assim, é comum, ao longo dos 117 minutos de projeção, que vejamos cabeças explodindo sob o impacto de balas e membros abandonando o conforto de suas articulações graças aos golpes da espada de Hit-Girl.

E por que esta opção seria “corajosa”? Porque Kick-Ass se passa num universo essencialmente fantasioso e tem o bom humor como centro fundamental de sua narrativa – e, assim, o excesso de sangue e vísceras poderia facilmente neutralizar os esforços satíricos do filme, que ficaria preso entre a comédia e a ação sem concessões, falhando em ambos. Assim, é admirável que Vaughn encontre um equilíbrio perfeito entre a leveza de seu herói e o peso das conseqüências da violência – e parte importante deste equilíbrio reside na eficiência das seqüências de ação, que investem em coreografias inventivas que, ao mesmo tempo em que funcionam no contexto do filme, ainda lembram o espectador de que, afinal, tudo aquilo não passa de uma fantasia absurda (e aqui mais uma vez o cineasta usa a metalinguagem para dar o tom ideal ao longa, empregando a fantástica trilha de Por uns Dólares a Mais composta por Ennio Morricone para enfocar certa ação de Hit-Girl).

Com um elenco afinadíssimo, Kick-Ass é beneficiado por um protagonista relativamente desconhecido que, assim, funciona como uma tela em branco na qual o espectador pode facilmente se projetar – e seu jeito inseguro e sua voz trêmula de adolescente certamente contribuem para que, no mínimo, nos identifiquemos com sua vulnerabilidade constante diante de todas aquelas ameaças. Enquanto isso, Christopher Mintz-Plasse, que surgiu como a grande revelação do excelente Superbad, usa boa parte de sua persona de “McLovin” para compor o vilão Red Mist, que, ao contrário do que ocorria nos quadrinhos, aqui já expõe seus planos malignos desde o princípio, mas com o tocante/divertido objetivo de chamar a atenção do pai, Frank D’Amico (Mark Strong, que, com Sherlock Holmes e Robin Hood, parece determinado a limitar sua carreira aos papéis de antagonista).

Nicolas Cage, por sua vez, continua a investir na recuperação de sua carreira, que depois de atingir o fundo do poço com Motoqueiro Fantasma, Perigo em Bangkok e O Vidente, deu uma guinada graças a Presságio e Vício Frenético (além da dublagem de Astro Boy): aqui, o ator encarna o pai de Hit-Girl como um sujeito excêntrico que, com um senso de humor bastante particular (reparem em sua risadinha estranha ao fazer um trocadilho bobo), ainda emprega uma cadência divertidamente artificial ao falar – e sua dedicação à filha é apenas rivalizada pela maneira absurda com que se manifesta. E por falar na garota, qualquer crítica sobre Kick-Ass que deixe de mencionar Hit-Girl deverá ser imediatamente descartada, já que a menina, vivida pela excelente Chloë Grace Moretz, é o destaque indiscutível do projeto: usando uma peruca que a transforma numa mistura de Natalie Portman em O Profissional e da Stephanie da série LazyTown (ei, sou pai de duas crianças!), Hit-Girl é a Noiva de Kill Bill no corpo da Pequena Miss Sunshine – e o simples contraste entre suas ações e sua aparência inocente já seria o bastante para tornar a personagem fascinante. Ainda assim, a atuação de Moretz é fundamental ao convencer o espectador de que a força e a habilidade daquela menininha poderiam ser plausíveis mesmo naquele mundo absurdo – e se não “comprássemos” esta idéia, o confronto violento entre Hit-Girl e o vilão Frank D’Amico certamente levaria o público a repudiar o filme por completo.

Com um desfecho mais otimista e doce que a graphic novel (mas que funciona perfeitamente no longa), Kick-Ass é uma diversão atípica: choca e provoca o riso na mesma medida, conseguindo também privilegiar seus personagens sem jamais sacrificar a história. É, em suma, tudo o que Heróis Muito Loucos tentou ser e não conseguiu – e, apenas por isso, já mereceria gerar sua própria franquia. Hit-Girl merece voltar às telas.